Segunda-feira, 10 de Outubro de 2005

Pedaços de História -As pontes II

ponte_d_maria_pia.jpg

O caminho de ferro chegou a Portugal em 1856, não obstante houvesse entre os portugueses quem lutasse pela sua montagem desde 1837 e de Costa Cabral proteger em 1845 a organização de uma companhia que se propunha, entre outros empreendimentos, estabelecer comunicações de Lisboa a Tomar e ao Porto. Apesar do capital que lhe foi atribuído essa companhia desapareceu e com ela as esperanças de pôr em prática a ambicionada realização. Só alguns anos depois, na vigência do ministério do Duque de Saldanha, Fontes Pereira de Melo, que ocupava a pasta da fazenda, promoveu a constituição da Companhia Central Peninsular de Caminhos de Ferro, à qual é confiada a construção de duas linhas, uma de ligação à fronteira espanhola pelo Leste, e outra comunicando ao Norte com o Porto, ambas com um troço em comum inicial, de Lisboa a Santarém. Mas devido a divergências e aos atrasos nos trabalhos só muito lentamente é que as linhas foram avançando.

Em 1862 a linha partiu finalmente em direcção ao Norte, enquanto de Gaia, no mesmo ano, começava também a montagem em sentido inverso e, a 7 de Julho do mesmo ano festejava-se a abertura ao público da estação das Devesas com ligação directa a Lisboa por dois combóios diários em cada sentido. O custo da viagem era de 6000, 4670 e 3330 réis, respectivamente, em 1.ª, 2.ª e 3.ª classe. Para irem da Praça D. Pedro IV às Devesas, os passageiros poderiam utilizar caleches a 200 réis por corrida e aqueles que morassem à beira-rio também as tinham na Praça da Ribeira a 120 réis. A duração do percurso Porto-Lisboa era de 14 horas, mais tarde reduzido para 8 horas com a chegada dos "wagons-Lits". O prolongamento da linha do Norte até às Devesas, embora representasse um desenvolvimento notável, não satisfazia inteiramente as aspirações da cidade do Porto, quer por deslocar para Gaia a praça de comércio nortenho, quer por não permitir uma ligação prática com as linhas do Minho e Douro.

Para resolver estes problemas encarava-se desde 1852, a possibilidade de estabelecer uma estação ferroviária no Porto que faria ligação às Devesas por uma ponte sobre o Douro. Para tal, são apresentados vários projectos ao longo dos anos, que devido à sua impraticabilidade não eram aprovados e, quando a questão parecia eternizar-se, um acidente fez com que chamassem à direcção da Companhia, um técnico nacional de extrema competência, o eng.º Manuel Afonso de Espregueira, que encontrou a solução tão desejada. Nesse projecto, a linha segue das Devesas ao apeadeiro de General Torres, faz um desvio à esquerda, perfura, em tunel a Serra do Pilar, avança sobre uma profunda trincheira para a escarpa onde se apoia a ponte, transpõe o rio, rompe outra vez, o túnel debaixo do Monte do Seminário, circunda a encosta de Campanhã e entra ao cimo da Rua de Campanhã na estação.

A aprovação final do projecto, só aconteceu em 1875. Entretanto a Companhia angariava os ante-projectos da ponte, tendo sio aprovado o da Eiffel & C.ª, que foi de 1 200 000 francos.

As obras da ponte tiveram ínicio a 15 de Maio de 1876, sendo montada em 1 de Março do ano seguinte a primeira peça do arco que foi fecha-do a 25 de Setembro, tendo sido feito, em Outubro, os testes de segurança.

A Ponte D. Maria Pia, assim baptizada em honra da rainha, foi projectada por Eiffel e Seyrig. Trabalharam nela 150 operários durante 22 meses, sendo utilizados 1600 toneladas de ferro. Transpõe o rio a 62,40m contados do nível da baixa-mar à partilha dos carris. É formada por um tabuleiro com 352,375m de comprimento, apoiado em três pilares do lado de Gaia, e dois do lado do Porto. O alinhamento recto do tabuleiro liga-se ao traçado geral por meio de duas curvas de 400m de diâmetro. Foi considerada insuperável e uma obra notável de engenharia para a sua época, visto que não se podia encontrar, à data, nenhuma igual na Europa. A inauguração da ponte realizou-se a 4 de Novembro de 1877, com a presença da familia real que se hospedou no Palácio das Carrancas, e seguiu para as Devesas em trens descobertos entre salvas de artilharia. Fizeram depois das cerimónias religiosas a viagem inaugural, partindo das Devesas o comboio real, com o rei D. Luís e a rainha D. Maria Pia, o rei D. Fernando, os príncipes D. Afonso e D. Carlos, o infante D. Augusto e um numeroso séquito, que demorou 55s para atravessar a ponte. As enconstas do Douro estavam inteiramente povoada de curiosos e as águas do rio mal se podiam ver, tal era o número de embarcações que alí se encontravam para testemunhar tal acontecimento


Fonte: gaianet.pt
publicado por Pedro_Santos às 10:30
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