Segunda-feira, 10 de Outubro de 2005

Pedaços de História - As pontes V

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Reconhecida, hà várias décadas a necessidade de substituir a Ponte D. Maria Pia, com mais de cem anos e incapaz de responder às necessidades dos transportes ferroviários modernos, pensou-se, na década de 70, em tomar medidas para a construção de uma nova ponte que lhe desse o descanso merecido. No entanto, já por volta de 1950, aquando da discussão para a construção da Ponte da Arrábida, ficara estabelecido que a ligação norte-sul por caminho de ferro seria feita entre as Devesas e Campanhã, com uma nova ponte situada entre a Ponte D. Maria Pia e o Areínho. O estudo do novo traçado foi justificado pela intenção de todos os intervenientes em salvaguardar a Ponte Maria Pia, comprovativa do vigor do burgo portuense na segunda metade do séc. XIX e da genialidade do seu autor, Eiffel. As obras iniciaram-se em Novembro de 1984 e em Abril do ano seguinte davam-se já os primeiros passos para a construção da ponte principal, com a instalação das plataformas para execução das fundações dos pilares junto às duas margens. As obras foram decorrendo ao longo de todo precurso, enquanto paralelamente eram completadas por vários trabalhos, de que se destaca a construção do edifício "Laboratório Experimental", a regularização e protecção da margem do Douro, e diversas obras em Campanhã e na Estação "General Torres", em Gaia. A constituição do novo traçado apresenta algumas vantagens evidentes em relação ao da antiga via, ou seja, a redução do número de curvas para 3, as menores inclinações dos traineis, a introdução da via dupla e o sistema electrónico de sinalização vão permitir a circulação diária de 400 composições, à velocidade de 120 Km/h, contra 20 Km/h na antiga ponte.

O atravessamento do Vale do Douro é feito por uma única estrutura monolítica com 1028,8 m. A Ponte de S. João, tem a forma da letra "pi", com o comprimento total de 500m, correspondendo 125m a cada um dos vãos laterais e 250 m ao vão central. A plataforma superior do tabuleiro da ponte encontra-se à cota de 66 m acima do nível médio das águas do Douro. Os dois pilares estão implantados já no leito do rio, embora ambos se situem muito perto da respectiva margem. Cada um destes pilares apoia-se num embasamento de betão armado, um cilindro de 14 m de diâmetro que sobe desde o rochoso do rio até à cota teórica do nível médio das águas. Cada uma destas bases de fundação está ancorada ao firme por meio de 180 micro-estacas de 12 m de comprido, cravadas no granito subjacente e constituídas por vários varões de aço especial.

Os pilares, de betão altamente armado e pré-esforçado, são colunas ocas, servindo o seu interior para a passagem dos elevadores e escadas de inspecção e manutenção, quer deles mesmos, quer da viga do tabuleiro. O fuste tem forma de um hiperbolóide de revolução e truncado por superfícies regradas; é truncado, ainda, nas faces laterais, por idênticas superfícies que permitem transição para as ilhargas do tabuleiro.

Esse tabuleiro é constituído por uma viga-caixão bicelular de betão armado e pré-esforçado, a super-estrutura em viga-caixão é completada, na face superior do tabuleiro pelas 4 longarinas de betão ligeiramente salientes da laje, onde se apoiam os carris da via, e por 3 vigas também salientes que, servem como protecção e separação entre as duas vias e, em caso de descarrilamento, impedem que as composições abandonem o "canal" da via e saltem ou para a via contrária ou para o rio. Para maior segurança os espaços vazios entre as longarinas dos carris e as vigas de bordadura e central foram preenchidas com betão poroso que servirá como travão das rodas de qualquer composição que salte dos carris.

A Ponte de S. João, foi inaugurada a 24 de Julho, dia de S. João, de 1991, no meio de controversa polémica que agitou a opinião pública e escamoteou perante o país a importância dessa obra para o desenvolvimento de região Norte, e para a história da engenharia civil portuguesa. As composições deixaram finalmente de passar na Ponte D. Maria Pia, e a nova ponte ergue-se agora sobre as águas do Douro, rivalizando em beleza e arrojo técnico coma as suas parceiras a juzante no rio.


Fonte: gaianet.pt
publicado por Pedro_Santos às 10:43
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