Terça-feira, 11 de Outubro de 2005

Lixos perigosos de hospitais depositados em aterros

Uma unidade de autoclavagem, destinada a tratar resíduos perigosos, está ser construída na cerca do Hospital Santos Silva, localizado no Monte da Virgem. Depois de tratados, os resíduos irão para aterros sanitários. A Câmara de Gaia não foi consultada e Filipe Menezes admite ter sido apanhado de surpresa, enquanto a Ambimed, empresa especializada no tratamento deste tipo de resíduos, acusa o Estado de concorrência desleal. O projecto é dos Serviços de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH) e pretende dar solução a lixos do grupo III (com perigosidade biológica), produzidos no Norte, com um sistema de descontaminação de material com temperaturas elevadas e com vapor de água.

Fruto de um protocolo assinado, em Dezembro de 2002, entre o então secretário de Estado da Saúde, Adão e Silva, e os serviços, a unidade só teve, no entanto, aval da Direcção-Geral de Saúde (DGS) para avançar em Junho passado. No final do ano, será submetida a uma reavaliação.

"O projecto esteve, durante muito tempo, para apreciação, na DGS. Em Junho, foi aprovado. A unidade está a ser construída no Centro Hospitalar de Gaia e, no fim do ano, será alvo de uma vistoria para uma avaliação final dos ministérios da Saúde e do Ambiente", disse, ontem, ao JN, Paulo Sousa, responsável pelos SUCH. A unidade visa, segundo Paulo Sousa, servir, dentro da sua capacidade (12 toneladas por dia) hospitais e centros de saúde do Norte, estando garantido que "cumprirá todos os requisitos" no que respeita aos efluentes líquidos e gasosos. "É um processo sem custos ambientais. Estamos a falar de um pré-tratamento que permite encaminhar os resíduos daí resultantes para aterros sanitários ", acrescentou.

O avanço do autoclave, que implica a construção de uma nave industrial, apanhou de surpresa, ontem, o presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, que remeteu para hoje uma possível reacção a uma obra no concelho sem conhecimento da autarquia. Todavia, dado tratar-se de uma construção hospitalar, os SUCH não têm de pedir licença municipal para o projecto que, no caso, deverá custar cerca de 500 mil euros em termos de investimento inicial.

"Isso é falta de ética. Estamos a falar de uma construção dentro de um hospital e onde se usa a letra da lei e não o espírito da lei", sublinhou, por ser lado, José Manuel Palma, responsável pela AmbiMed, empresa especializada em tratamento de lixos e detentora de duas autoclavagens no Barreiro e em Beja e de uma estação de transferência em Estarreja.

A AmbiMed tentou obter autorização para uma unidade, semelhante à dos SUCH, em Estarreja e em Oliveira de Azeméis. Sem êxito.

"Como somos empresa privada, as câmaras têm de autorizar os projectos e fomos barrados. A situação agora ficou mais complicada com o Estado a querer voltar a controlar o tratamento dos resíduos hospitalares, com regras que, em termos de concorrência, criam problemas economicamente graves", sustentou.

Empresa especializada fala em concorrência desleal

"Não ficaremos quietos. Em último caso, recorremos a instâncias europeias para denunciar um caso de concorrência desleal". O aviso é de José Manuel Palma, responsável pela AmbiMed, empresa especializada em autoclavagem (espécie de descontaminação biológica) de lixos hospitalares tipo III . Ou seja, resíduos provenientes de peças anatómicas não identificáveis, dos que resultam da administração de sangue e seus derivados, de soros, de medicamentos e de material de protecção individual onde existe contacto com produtos contaminados (luvas e máscaras), entre outros. O empresário diz que irá pedir a intervenção do ministro da Saúde e da Autoridade para a Concorrência, salientando que se está perante "um retrocesso na política até agora seguida pelo Estado" e que é "tirar dos hospitais o tratamentos dos seus lixos". "Não estamos a falar de uma unidade feita para tratar dos resíduos do hospital de Gaia. A dimensão do projecto indica que será para outros da região, sem que se ouvisse a Câmara ou a população. Além disso, dado que não é necessário o retorno do investimento, porque são os nossos impostos que pagam a unidade, os preços a praticar serão mais baixos, com repercussões económicas graves para quem já investiu", sublinha José Manuel Palma.


Fonte: JN
publicado por Pedro_Santos às 11:10
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