Terça-feira, 25 de Outubro de 2005

Pedaços de História - Os Troleicarros

Esta é a história dos tão famosos Troleicarros que vaguavam no Gande Porto. Visto que este é um blog que fala de Vila Nova de Gaia, era inevitável não falar deles...


1954 - foram efectuadas obras pela JAE (Junta Autonoma das Estradas) na Ponte D. Luiz I que apontaram para um seu precoce envelhecimento agravado pela passagem dos carros eléctricos – corrosão electrolítica nos pilares e excesso de vibrações.


1955 - a STCP (Sociedade de Transportes Colectivos do Porto) realiza um estudo para a substituição da rede de carros eléctricos em VILA NOVA DE GAIA por troleicarros.


1956 - foi concedido um empréstimo à STCP no valor de 20 milhões de Escudos para implementação do sistema de troleicarros.


1958 - foi a chegada dos primeiros troleicarros. Pintados de vermelho escuro e com o tejadilho cinza, são fabricados em Inglaterra pela BUT - British United Trolley, com chassis Leyland e motor eléctrico de 99 kW (135 CV) Metropolitan-Vickers; têm duas portas e podem transportar até 55 passageiros, dos quais 32 sentados. Esta primeira encomenda é de 20 carros, os últimos dos quais só chegam ao Porto durante os primeiros meses de 1959. São numerados de 1 a 20.


Em Dezembro/1958 foram realizados testes dos troleicarros no centro da cidade. No dia 01/Janeiro/1959 foi o início da exploração dos troleicarros. São criadas as carreiras :
33, Pç. Almeida Garrett - Coimbrões (pelo tabuleiro superior da ponte D. Luiz I);
e 35, Pç. Almeida Garrett - Lordelo do Ouro, a qual serve também de linha de serviço para a Estação de Recolha localizada na Carcereira (estação que existe desde 1948 e à data recolhem os autocarros).


No dia 03/Março/1959, após a chegada dos restantes troleicarros da primeira remessa de 20, iniciam-se nesta data as carreiras, todas em direcção a VILA NOVA DE GAIA:
31, Pç. Almeida Garrett - Câmara Municipal de Gaia - Stº. Ovídio - Infante - Pç. Almeida Garrett (ida pelo tabuleiro superior da Ponte de D. Luiz I e retorno pelo tabuleiro inferior);
32, Idem, em sentido oposto (anti-horário);
36, Pç. Almeida Garrett - Stº. Ovídio (via Bifurcação, pelo tabuleiro superior); e
37, Idem (via Mafamude, pelo tabuleiro inferior da Ponte).


Já no dia 04/Março/1960 é extinta a carreira 37, Pç. Almeida Garrett - Mafamude - Stº. Ovídio; e a 35 é prolongada até Campanhã, via Bonfim.


 


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1962 - Segunda encomenda de troleicarros. Como os anteriores, são fabricados em Inglaterra pela BUT - British United Trolley, com chassis Leyland e motor eléctrico de 99 kW (135 CV) Metropolitan-Vickers; mas nesta encomenda de 6 carros, eles têm três portas e podem transportar até 71 passageiros, dos quais 20 sentados. Serão numerados de 21 a 26.


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No dia 11/Junho/1964 é criada a carreira 35A, Bonfim - Lordelo (via Campanhã), para reforço da linha 35 e em substituição da linha 11 de carros eléctricos.


Em 1965 é feita a maior encomenda de troleicarros em toda a história desse tipo de transporte em Portugal: 75 carros, sendo 25 com um piso e 50 com dois - estes com a particularidade de ter duas escadas interiores, um pormenor único no Mundo. Os chassis dos troleicarros são Lancia e os motores CGE - Compagnia General d'Eletricittà, ambas companhia italianas, o que fará com que, mais tarde, passem a ser conhecidos como «os italianos»; as carroçarias são construídas em Portugal pela empresa Dalva, do Porto. Possuem motores eléctricos de 110 kW (150 CV) e suspensão mista (hidráulica, molas e amortecedores) - que os tornam mais cómodos do que os BUT - e podem transportar até 76 passageiros (29 sentados), os carros de um piso, e até 91 passageiros (68 sentados) os de dois pisos. Receberam dois tipos de numeração: uma sequencial a partir de 27 (até 101) - a «matrícula» - e uma outra funcional, de acordo com o do tipo do carro: de 27 a 51 para os carros de um piso, e de 101 a 150 para os carros de dois pisos. A entrega dos carros iniciou-se em 1965 (os primeiros de dois pisos) e terminou já em 1967.


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No dia 10/Setembro/1967 iniciam-se as carreiras na direcção Este, para o concelho de Gondomar, com a utilização exclusiva dos carros de dois pisos:
10, Bolhão - Venda Nova (substituindo a linha 10 de eléctricos);
11, Bolhão - S. Pedro da Cova; (substituindo a linha 10/ de eléctricos);
12, Bolhão - Gondomar (substituindo a linha 10// de eléctricos).


Em 26/Outubro/1968 é inaugurada, pelo Presidente da República, a Estação de Recolha da Areosa, com uma área de 25 mil m², e onde passam a recolher (apenas) os troleicarros - 101 operacionais à data.


Já no dia 17/Novembro/1968 Iniciam-se as carreiras na direcção Norte:
9, Bolhão - Ermesinde (substituindo a linha de eléctricos com o mesmo número e com a utilização preferencial dos BUT de três portas);
e 29, Bolhão - Travagem (com a utilização exclusiva de carros de dois pisos). E, dentro da cidade, é criada a carreira 34, Bolhão - Campanhã (com a utilização preferencial dos Lancia de um piso). Nesta mesma data é desactivada a carreira 35A e é suspensa, temporariamente, a carreira 35, a qual é substituída por autocarros (carreira 135); contudo, mantém-se em funcionamento em horas de ponta para reforço do serviço de autocarros.


No dia 17/Março/1970 a carreira 35, Lordelo do Ouro - Campanhã (via Bonfim) é novamente colocada em operação regular.


10/Dezembro/1972 é a data que assinala a inversão de sentido de circulação da Rua de Stº. António (31 de Janeiro), pelo que as carreiras 32, 33 e 36 passam a descê-la em vez de a subir, continuando a terminar na Praça Almeida Garrett.


No dia 13/Dezembro/1976 deixam de circular, definitivamente, as carreiras 34 e 35, ambas com término em Campanhã.


No dia 09/Março/1977 deixa de circular a carreira 10, Bolhão – Venda Nova.


Já no dia 17/Abril/1978 as carreiras 33 e 36 são prolongadas até à Rua Gonçalo Cristóvão (A.C.P.), via Rua de Stª. Catarina (ida) e Sá da Bandeira (volta). Deixa de circular a carreira 31, Pç. Almeida Garrett - Câmara Municipal de Gaia - Stº. Ovídio - Infante - Pç. Almeida Garrett. A carreira 32 passa a fazer o trajecto Rua de Gonçalo Cristóvão (A.C.P.) - Stº Ovídio (via Infante). No dia 10/Julho/1978 as carreiras 32, 33 e 36 passam a descer a Rua de Passos Manuel, fazendo o ponto terminal na Rua de Sá da Bandeira (Café «A Brasileira»).


À data de 24/Agosto/1981 devido a obras na Rua de Stª. Catarina, as carreiras 32, 33 e 36 passam novamente a descer a Rua de 31 de Janeiro, fazendo aí o ponto terminal.


1981 - São encomendados ao mercado nacional 25 novos troleicarros, sendo 15 simples e 10 articulados - os primeiros do tipo a existirem no país.


1983 - Após a apresentação de um protótipo em 16/Agosto/1982 em Coimbra, o Porto recebe o primeiro troleicarro de concepção e fabrico nacional, simples, com chassis e carroçaria Salvador Caetano, motor eléctrico de 131 kW (178 CV) Efacec e componentes electrónicos Kiepe, dotado com um motor auxiliar a diesel, de 4028 cm³ / 50 kW (68 CV), Hatz.


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1984 - São recepcionados as restantes 14 unidades simples e o primeiro exemplar das unidades articuladas; as restantes unidades articuladas são recebidas em 1985. Os carros articulados são em tudo idênticos aos simples, à excepção do motor eléctrico que é de 209 kW (284 CV). Como para os Lancia, os Efacec receberam duas numerações: uma sequencial - a «matrícula» - e uma outra funcional, de acordo com o tipo do carro: os carros simples foram «matriculados» de 152 a 166 e com a numeração funcional de 61 a 75 e os articulados «matriculados» de 186 a 195 e com a numeração funcional de 160 a 169.


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1990 - É lançado novo concurso para aquisição de 35 novos troleicarros articulados, o qual é entretanto cancelado por razões económicas.


199? - São abatidos ao serviço e vendidos para a sucata os troleicarros BUT e Lancia. Além dos referidos atrás e reservados para o Museu do Troleicarro, existem ainda os Lancia de dois pisos 118 e 137, em muito mau estado de conservação e de recuperação duvidosa. Em Setembro/1993 cessam as carreiras de troleicarros para Vila Nova de Gaia – 32, 33 e 36 -, em virtude de obras na Av. da República. 1994 – é criada a carreira 49, Hospital de S. João – Infante, a qual substitui a carreira de autocarros com o mesmo número.


199? – é criada a carreira 14, Hospital de S. João – Alto da Serra, (via Circunvalação) e também extinta algum tempo depois.


No dia 27/Dezembro/1997 extingue-se o serviço de troleicarros na cidade do Porto com o encerramento, nesta data, da carreira 49, no trecho entre o Bolhão e o Hospital de S. João. Os remanescentes 25 troleicarros Efacec permanecem na Estação de Recolha da Areosa enquanto a STCP inicia a procura de um comprador nos países de Leste.


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No dia 03/Dezembro/1999 é É visto a circular em torno do pátio da Estação da Areosa, sob a catenária - sendo alimentado a energia eléctrica (talvez pela última vez desta forma) -, o troleicarro nº 64 (155), em preparação para uma visita de potenciais compradores russos. trolei_9.jpg


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Em Setembro/2000 a Almaty Elektrotrans, do Cazaquistão, adquire, por menos de 20 milhões de Escudos e através de um dealer alemão, os 23 Efacec à venda.


No dia 03/Outubro/2000 circulam pela última vez troleicarros no Porto. Desta vez propelidos pelo motores diesel auxiliares (haviam sido retiradas as varas), 14 Efacec simples e 9 articulados percorrem, entre as 22h09 e as 03 horas do dia 4, os cerca de 12 km que separam a Estação de recolha da Areosa do Porto de Leixões, onde são embarcados, no dia 10, no navio russo Amur 2537 com destino a S. Petersburgo, com posterior encaminhamento, por via férrea, para Almaty.


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No primeiro dia do séc. XXI ainda subsistiam raríssimos vestígios da passagem dos troleicarros pela cidade, mas as linhas aéreas que existiam entre o PT eléctrico da Areosa e a Estação de Recolha (cerca de 1 km) até 10/Março foram retiradas de imediato.


Fonte: http://usuarios.lycos.es/trolleybus/ptdataspt.htm

publicado por Pedro_Santos às 17:03
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