Quinta-feira, 3 de Novembro de 2005

Pedaços de História - A origem do Vinho do Porto

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Hà cerca de 5 mil anos, os habitantes da região de Almeida, no sul de Espanha, já plantavam vinha e, provavel-mente as primeiras migrações provenientes do centro da Europa chegadas ao noroeste ibérico no segundo milénio a.C., procederam, à semelhança dos seus antepassados das florestas alpinas e nórdicas, à colheita dos frutos doces e comestiveis, e possivelmente esmagavam-nos para fazer vinho. A vinha terá sido cultivada pela primeira vez em Portugal pelos Fenícios, e posteriormente desenvolvida pelos Gregos e Romanos, principais responsáveis pelo desenvolvimento da viticultura.


Aquando da invasão dos visigodos e pelos mouros no séc.VII, é encontrada uma referência a esta cultura. Com a invasão dos mulçulmanos há uma certa resistência à produção do vinho, devido ao preceito do corão que o proíbe, mas ele continuou a ser cultivado o que causou possivelmente o desaparecimento das culturas vinícolas do Sul do País por alturas da reconquista, a fome generalizada provocada pela guerra, e tendo parte dos terrenos sido aproveitados para o cultivo do trigo e da oliveira, e instituidas áreas de reserva para caça da nobreza e da casa Real. Na década de 700 d.C., D. Afonso I das Astúrias libertou toda a região do Douro dos invasores.

A importância da vinha na economia portuguesa, constitui facto indesmentível. Os forais de S. João da Pesqueira (séc. XI) e de Freixo-de-Espada-à-Cinta (séc. XII), impõem aos seus habitantes como tributo, o pagamento em vinho ou fazem referência ao cultivo da vinha. Com a independência de Portugal (séc. XII), a importância do Douro aumentou, já que todos se referiam à obrigação dos moradores pagarem uma contribuição em vinho. No reinado de D. Afonso III (séc.XIII), o comércio com Vila Nova de Gaia era já de grande importância, pelo que, do seu foral se determinou que, qualquer barca carregada de vinho com destino a esta vila pagaria tributo. Desde o séc. XIII, exporta-se vinho para França, sendo o grande incremento das exportações para Bruges, Ruão, Honfleur. No séc. XVI, Rui Fernandes faz a descrição da região de Lamego por 2 léguas em redor da cidade, pagando-se dizimos em vinho. Este vinho era transportado em barcos para entre Douro e Minho, o Porto, Aveiro, Lisboa, Ilhas e armadas do rei. Os de melhor qualidade iam por terra para as cortes de Portugal, Castela, para nobres de todo o país, da Flandres e outras províncias do Norte, Brasil, Guiné, Angola, India…

Graças à cultura da vinha, inicia-se na região do Douro, de meádos do séc. XVI a finais do séc. XVIII um notável progresso. Em Gaia, desde os tempos mais remotos, existiram compra e venda de vinhos, sobressaindo, entre estes, os produzidos no Alto Douro. A comprová-lo há a elevada quantidade de edifícios construídos, expressamente para a recolha de vinhos, numa grande parte da área da freguesia de Santa Marinha.Esta bebida era produzida na Região demarcada do Douro mas considerava-se fundamental que repirasse o ar de Vila Nova de Gaia, devido a este ser mais fresco e húmido, e era também por isso que este era, até há poucos anos, aqui engarrafado. O transporte foi iniciado por barcos rabelos, de origem visigótica e perfeitamente adaptados às dificeis condições de navegabilidade do rio. O último transporte realizado por esta embarcação efectuou-se em Setembro de 1965, depois da construção da Barragem Hidroeléctrica do Carrapatelo, sendo feito hoje em dia por camiões-tanque.

A gloriosa fama alcançada pelos vinhos da região duriense, em todos os mercados do mundo, sob a designação de Vinhos do Porto, deve-se a todos os comerciantes vinícolas, tanto nacionais, como estrangeiros, que se estabeleceram em terras gaienses. No exercício do comércio de vinhos, há o honroso facto de existirem empresas e sociedades, algumas com mais dum século e muitas já com dezenas de anos. Estas oferecem visitas guiadas em várias línguas, explicando a origem desta generosa bebida e oferecem uma prova para que os seus visitantes possam degustar esta bebida considerada por muitos digna dos Deuses.

Decorria o ano de 1751, quando José Ferreira, avô de D. Antónia Adelaide Ferreira, deu princípio á Casa Ferreirinha, que, actualmente é dirigida por descendentes de D. Antónia Adelaide Ferreira. E em 1756, é fundada por alvará régio assinado por D. José I e subscrito pelo famoso Marquês de Pombal, a Casa Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro. Esta casa foi encarregada de proceder à delimitação da região dos vinhos de feitoria, ou tratados, o que concluíu em 1761.




Fonte: Gaianet
publicado por Pedro_Santos às 09:56
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