Terça-feira, 8 de Novembro de 2005

Namoro impedido

O namoro entre duas alunas da Escola Secundária de António Sérgio, em Gaia, foi proibido por uma funcionária e abriu um conflito entre estudantes e docentes responsáveis. O caso até poderia passar despercebido se não fosse denunciado durante um debate, sobre homofobia, realizado, há dias, dentro da própria escola.

A Associação de Estudantes acusa o Conselho Executivo de tentar impor, desde então, "uma lei antiabraço" e fala em "proibição de afectos" . Garante que os alunos são vigiados e que "qualquer manifestação de carinho, tipo beijos ou abraços", merece impedimentos e "conselhos para que aconteçam fora da escola".

O órgão directivo visado respondeu, ontem, com um comunicado, entregue pessoalmente, ao JN, pelo seu presidente António Teixeira. Na nota, rejeita-se a "prática de perseguir, marginalizar ou (...) interferir nas opções do foro privado dos alunos", nega-se a existência da tal lei "antiabraço" e defende-se "o respeito mútuo e a sã convivência entre toda a comunidade escolar". "E isto é válido para homo e heterosexuais", remata o comunicado.

Desconforto e coragem

"Nunca se questionaram os namoros dentro da escola até agora. Os beijos e abraços não são proibidos no Regulamento Interno e trocar carinho não é faltar ao respeito". A frase, dita por Rita, membro da Associação de Estudantes, merece assentimento dos oito estudantes que foram formando uma roda à porta da escola. "Respeito é aceitar as opções sexuais de cada um", acrescenta Guilherme, líder do grupo por eleição.

Nos rostos dos adolescentes nota-se desconforto, mal-estar. Mas a atitude é de coragem. Na hora de dizer os nomes, eles soltam-se das bocas sem receio. Rita, Guilherme, Alexandre, Luísa, Ana, Tiago, Jorge e Ana Luísa querem constar como na reportagem porque "defensores da liberdade de convicções".

"Ninguém gosta de ferir susceptibilidades. O que nos fere é saber que o amor entre duas alunas trouxe homofobia à escola. E ninguém pode dizer que o assunto era desconhecido. Antes da Associação de Estudantes saber, pelas próprias visadas, o que passava, o Conselho Executivo tinha falado sobre o caso, com as alunas, se bem que usando faltas como disfarce", diz Rita.

"A nossa consciência ditou que não nos calássemos. A melhor forma de tratar o problema foi fazendo um debate. Houve autoritarismo da parte da funcionária que alega ter ficado chocada por ver as duas alunas aos beijos. Há, agora, autoritarismo ao proibir namoros dentro da escola e ao pôr professores a vigiar os alunos nos intervalos", afirma Guilherme.

No comunicado, o Conselho Executivo salienta que desconhecia o relacionamento das duas alunas antes do debate. E assegura que, mesmo que soubesse, nada faria contra "convicções de natureza religiosa, política, sexual ou outras". Há, porém, algumas reticências desde que tais convicções sejam assumidas fora da escola.


"Escola é agora uma rotunda e nem controlo tem à porta"

O painel de azulejos, numa das paredes do átrio principal da escola secundária, pretende homenagear o homem que lhe dá o nome. António Sérgio, filósofo, defensor da liberdade, deixou , como conselho, que se aprenda a pensar. "É o que tentamos fazer todos os dias", assegura Guilherme Morais, presidente da Associação de Estudantes, criticando o facto da escola se ter transformado "numa rotunda" mercê das obras que decorrem no Jardim de Soares dos Reis, devido à construção de um dos acessos à Via de Cintura Interna. "Temos de aceitar que só é permitido fumar fora das instalações. Teremos, agora, também que nos relacionar na via pública. Ninguém se interroga sobre a nossa segurança. Há constantemente carros a circular à volta da escola, devido ao desvio de trânsito. E nem sempre há quem controle as entradas e saídas da escola. Tanto há porteiro como não há", sublinha o dirigente estudantil. "Há falta de pessoal. Mas não há falta de controlo", rebate António Teixeira, presidente do Conselho Directivo. No entanto, a associação argumenta que ainda se aguarda pela instalação de cartões electrónicos que permitirão acessos controlados à escola, para além de servir, com carregamentos, como forma de pagamento de serviços."Pagámos, em Fevereiro, sete euros. Continuamos sem ver a cor dos cartões", asseguram os representantes dos alunos.

"Não é verdade que assim seja. Já há cartões. Pode haver é alunos que não pagaram ou não entregaram, a tempo e horas, fotografias e dados", contesta o responsável pelo órgão directivo da escola."Em vez dos professores e dos responsáveis se preocuparem com os namoros deveriam tratar da falta de condições em alguns pavilhões e nos balneários. No Inverno, o frio é tanto dentro de salas como no exterior", criticam os alunos.


Fonte: JN
publicado por Pedro_Santos às 09:01
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