Quinta-feira, 10 de Novembro de 2005

A guerra continua...

As protagonistas da história são duas alunas da Escola Secundária de António Sérgio, em Gaia, e já não mostram grande vontade em falar do caso. "Sinto-me mal. Já nem saio de casa como antes". As palavras vêm de uma das estudantes que, há cerca de oito meses, assumiu um namoro proibido aos olhos de responsáveis da escola. Proibido porque lésbico. Proibido porque fora "da sã convivência e do respeito".

Trocado um beijo em frente a uma funcionária, espoletou-se uma polémica que, do interior da escola, já chegou ao Parlamento, pela mão do deputado do Bloco de Esquerda, João Teixeira Lopes, que fala em "discriminação". Agora, é a vez do presidente da Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap), Albino Almeida, criticar a forma de actuar do Conselho Executivo da Escola.

"O namoro entre alunas foi pretexto para estigmatizar e revela que falta formação cívica aos responsáveis pela escola", atira o dirigente, considerando que "é inaceitável pensar que é com regulamentos ou com falsos moralismos que se vai probir seja o que for".

Os visados mantêm a posição assumida na passada segunda-feira. Negam qualquer discriminação, falam em respeito e impõem regras a "homo ou a heterossexuais". As acusações feitas pela Associação de Estudantes, que denunciou o caso num debate realizado dentro da própria escola, e pelas duas alunas (ler caixilho) ficam sem resposta directa.

Vale um comunicado, onde se desmente que haja "uma lei anti-abraço", expressão usada por estudantes para rotular o que ficou estipulado. Ou seja, namorar é possível, desde que fora dos muros da escola. A regra é para todos.Albino Almeida não concorda com a imposição.

Intervir e mediar

"Os problemas da sexualidade têm de ser debatidos, com confiança, entre escolas, jovens e famílias. No caso, até pode tratar-se de uma opção sexual que nem será definitiva. E o que se fez? Estigmatizou-se e criou-se um fenómeno de vitimização. Perante alguma falta de disciplina e de empenho, a atitude foi marcar as alunas, tipo "ainda por cima são lésbicas!", referiu, ontem, ao JN, Albino Almeida.

"Quem está à frente de um Conselho Executivo tem de saber intervir e mediar. E apostarem em pessoal não docente com capacidade para enfrentar problemas. Uma escola leva anos a construir um bom nome. Não pode deixar que isso se destrua em dois segundos ", acrescenta.

A responsável pela Direcção Regional de Educação do Norte, Margarida Oliveira, contesta, também, o comportamento dos responsáveis pela escola, prometendo acompanhar o assunto, incluindo "com apoio psicológico" necessário.



Margarida Fonseca

"Fizeram-me sentir que não sou normal"

O anonimato é a condição imposta. A conversa surge, devagar, com cansaço. A estudante relata a sua versão sem esconder que a projecção pública do caso ficar-lhe-á gravada na pele. "O preconceito dói. O desprezo também", salienta, admitindo que a polémica só teve, como ponto positivo, "pôr a comunidade a pensar sobre a injustiça, a marginalização".

E é isso que diz sentir.

"Ninguém gosta de ver funcionárias de uma escola a apontar o dedo. 'Olha as duas fufas', foi o que ouvimos. Como ouvimos professores a dizerem que não tinha um comportamento normal. Normal é que não é um director de turma chamar a minha mãe e perguntar-lhe se sabia que eu tinha relações com mulheres na escola. Eu sou a minha própria encarregada de educação. A intenção foi negativa".

A aluna nunca se refere, porém, ao namoro com a colega. Fala na troca de um beijo, junto às pautas, visto por "uma empregada que reagiu mal". Conta que a repreensão causou um "incidente de que se arrepende". "Quando me chamaram ao Conselho Executivo essa troca de palavras nem sequer mereceu reprovação. A vice-presidente tratou foi de avisar-me que se queria ser lésbica podia sê-lo, mas fora da escola. E não havia mais beijos nem abraços. Quando lhe perguntei se essa decisão era só para mim, respondeu é para ti e para todos".

O relacionamento com a mãe passou "por tempos difíceis". Agora, "está tudo bem", mas a "vontade de sair é cada vez menor". A solidariedade vinda de alunos "conforta". Aliás, foi à Associação de Estudantes que o caso foi transmitido, logo após "os acontecimentos". Agora, uma frase destaca-se nas paredes da escola "Abaixo os muros".


Fonte: JN

publicado por Pedro_Santos às 09:27
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